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A sopa de frequências do 3G no Brasil



25 November 2008 Nenhuma Opinião

Desculpem, eu até tentei, mas este artigo pode ter ficado técnico demais. Portanto, vou adiantar o objetivo dele: apresentar a tabela que fiz com as frequências 3G que cada operadora no Brasil oferece em cada estado brasileiro. Você pode conferir esta tabela aqui.

Caso queira saber como essa sopa de frequências surgiu, continue lendo o texto.

Quase todo dia (sério, é quase todo dia mesmo) alguém surge com uma pergunta parecida:

To querendo comprar o celular [insira um modelo de celular 3G aqui] e queria saber se ele vai funcionar no 3G da Vivo aqui no Paraná.

É, eu sei, eu também me confundo. Parte da culpa é da Anatel, e parte das operadoras. Acontece que no final de 2007, quando as primeiras redes 3G UMTS foram inauguradas no Brasil pela antiga Telemig Celular e pela Claro, a Anatel ainda não tinha leiloado as frequências que tinha prometido a anos… Com a enrolação da Anatel e a euforia das operadoras, a confusão começou.

No mundo, existem basicamente duas frequências predominantes em redes 3G: 850Mhz, usada muito pelos EUA e por países onde o CDMA prevaleceu (América Latina e Anglo-Saxônica por exemplo) e a de 2100Mhz, usada pela Europa e Japão, os maiores mercados 3G do mundo. São quase que dois padrões distintos, uma vez que os aparelhos 3G fabricados ou funcionavam em 850Mhz ou em 2100Mhz. Ou seja, dificilmente um aparelho 3G europeu iria funcionar nos EUA. Quando a Anatel decidiu leiloar as frequências de 1800Mhz lá nos idos do ano 2001/2002 afim de expandir o mercado nacional de celulares, ela estava, por tabela, definindo que o 3G no Brasil futuramente iria usar o padrão Europeu, ou seja, em 2100Mhz.

Acontece que a Anatel pode ter demorado demais para liberar o uso da banda em 2100Mhz. Em 2002, tudo bem, as redes 3G estavam começando a surgir no mundo, primeiro no Japão e depois em alguns países da Europa. Mas, em 2006, redes e aparelhos 3G já eram comuns no mundo todo. Porém, no Brasil, ainda usufruíamos de redes de segunda geração GSM ou, na melhor das hipóteses, EDGE.

O mercado já pressionava a adoção de redes 3G, pois aparelhos que usavam esta tecnologia já eram comuns. Fato dessa pressão são os vários modelos de celular 3G da Nokia que foram lançados no Brasil, mesmo não tendo sequer uma rede 3G ativa por aqui. Aparelhos como o N80 e N73 tiveram versões nacionais onde o chip 3G foi desabilitado. Eram aparelhos que foram construidos já pensando no uso em redes 3G.

Quando os EUA começaram a popularizar suas redes de terceira geração, as operadoras nacionais que possuiam operações em 850Mhz com os antigos TDMA, viram uma oportunidade de atualizar suas redes para o 3G sem a necessidade de esperar a Anatel liberar as bandas em 2100Mhz. Ora, a frequência do TDMA estava vazia, pois quase toda a base de usuários tinha migrado pro GSM, então, foi assim que aconteceu: durante quase todo o ano de 2007, Telemig Celular e Claro brigavam para inicar as operações 3G em suas redes em 850Mhz.

Até que, depois de muita briga judicial, em Novembro de 2007 ambas inauguraram suas operações 3G em 850Mhz, mesmo a Anatel já ter agendado (finalmente) o leilão das bandas de 2100Mhz para Dezembro daquele ano…

Passado o leilão, onde todas as operadoras adquiriram as bandas de 2100Mhz em suas respectivas áreas de atuação, o Brasil ficou sendo um dos únicos países do mundo a ter redes 3G tanto em 850Mhz quanto em 2100Mhz. E o que é pior, as vezes uma mesma operadora operar frequencias difernetes em diferentes regiões. A principal desvantagem disso é que, como existem muitos aparelhos que funcionam em 3G apenas numa frequencia (850Mhz ou 2100Mhz), o usuário pode ter o serviço 3G numa região e não ter em outra, dentro da mesma operadora.

Por exemplo, se um usuário compra um aparelho 3G que opera em 2100Mhz pela Claro em Minas Gerais, se ele for à São Paulo, seu aparelho não conseguirá captar o sinal 3G. Pior é na TIM, onde em São Paulo e Rio Grande do Sul a frequencia da capital é diferente do resto do estado.

É certo, hoje já existem muitos aparelhos que operam nas duas frequencias (850Mhz e 2100Mhz), mas não são todos. Portanto, muita atenção ao comprar seu aparelho celular 3G. Fique atento a estes detalhes. Qualquer dúvida, consulte a tabela.

Só mais uma observação: todas as operadoras que adquiriram bandas em 2100Mhz no leilão da Anatel em Dezembro de 2007 devem iniciar o uso destas bandas em no máximo 2 anos em todas as regiões adquiridas, sub pena de multa e devolução das bandas à Anatel. Isso significa que, no futuro próximo, todas as operadoras de todas as regiões do Brasil esterão operando redes 3G em 2100Mhz.

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